28 abril, 2011

Imensurável

O relógio marca quase 2 da manhã e não sinto sono algum
Muito menos vontade de dormir
Desta vez não tem um Labrador em minha cama
Quando falava em tempo
Dar tempo ao tempo
Era exatamente disto que eu estava falando, de tempo
Nunca especifiquei o quanto
Até por que isto seria impossível, imensurável
Sempre achei que paciência fosse uma das minhas maiores virtudes
E é
Não sei o que transpareço
Mas acredite
Não deixo as coisas passarem apenas por deixar passar
Tudo é pensado, infelizmente, como já é de costume, em demasia
Cada ato, cada passo
Tudo está marcado e definido
Mas nem todo cronograma é seguido à risca.

26 abril, 2011

Perjuros

Tudo o que ouço neste momento são;
O ronco do meu motor
E o barulho do atrito dos pneus no asfalto seco
Pareço estar em modo automático
Mal vejo os outros carros
As luzes, a sinalização, as pessoas na rua
Tudo em absoluto segundo plano
Também não sei para onde estou indo
Dirijo a esmo
Sem um lugar certo para chegar
Ou ir
Na minha cabeça a atenção não está voltada para a estrada
Pelo menos não totalmente
É em você que penso
No seu olhar
E em como pôde ter feito isso comigo
Não negues, não mintas...
Eu vi!
Teus olhos, escuros
Perjuros
Ah, teus olhos
Olhavam a outro, não eu!

24 abril, 2011

Subitamente

video
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti.

Composição : Samuel Rosa / Nando Reis

22 abril, 2011

Calhorda

Eu apenas criei isto que chamo de personalidade
Uma merda de personalidade é verdade
Que só me prejudica,
Mas que sem ela não teria conquistado 10% do que tenho.
E o que tenho?
Nada
Eu não tenho nada
Eu hoje vivo a mesma vida de 10 anos atrás
Só que eu não tenho mais 15 anos, mas meu mundo parece ter voltado para lá
Eu não vou desistir tão fácil de mim mesmo, não
Não vou
Sou chato pra caralho e isso até comigo mesmo,
Só eu sei o quanto é difícil conviver comigo 24 horas por dia
Eu sou insuportável
Mimado, desprezível e ainda por cima me acho a ultima bolacha do pacote
Eu sou arrogante e isso não ajuda em nada
Mas o que você tem a ver com isso, deve estar se perguntando
Nada!
Sou eu falando comigo mesmo como faço tantas e tantas vezes
Tentando explicar o obvio
Eu sou um velho calhorda que um dia se descobriu num corpo de um adolescente paulista do século XX e que tinha a chance de fazer tudo certo, de refazer sua vida conforme havia prometido para o anjo da morte que lhe veio buscar em seu leito fúnebre e solitário nos fundos de uma casa velha e abandonada, mas não.
Estou refazendo minha vida exatamente como ela sempre foi, e dificilmente este mesmo anjo me dará uma terceira chance.

20 abril, 2011

Amanhecer

Eu queria mesmo era não ter acordado
Assim teria como último pensamento
Como última recordação,
As horas que passei ao teu lado.
Mas não,
Minha realidade é outra
E tive que voltar à tona logo assim que um pequeno raio de sol se atreveu a entrar pela fresta da minha janela.
Eu tenho motivos de sobra para sorrir,
Mas no momento eu choro.
Sinto-me fraco,
Impotente
Tudo isso misturado a uma revolta que não sai de dentro de mim
Uma revolta que sinto de mim mesmo,
De não ter aproveitado as chances que a vida me deu
De ter me divertido quando deveria ser um pouco mais sério
De achar que logo depois do meu sono
O dia vai amanhecer belo e ensolarado
Não
Nem sempre foi assim e nunca dei bola pra isso
Só eu sei o quanto me arrependo de tudo o que fiz
Ou do que (ainda) não fiz.

Imagem: Quando o sol bater na janela do teu quarto de Sidneia

18 abril, 2011

Estratégia

Queria ser mais inconseqüente
Deixar de pensar tanto no amanhã
De medir probabilidades, tanto de acerto quanto de erros
Agir mais
Fazer mais
Eu pondero em exagero
Tudo tem seu peso, sua medida
Eu meço cada passo, cada decisão a tomar
E em demasia
É um excesso de zelo
E para quê?
Para não errar
E mesmo assim acabo errando
Se agindo certo não está dando resultado
Está na hora de mudar a estratégia
Mas sem tirar o time de campo
Hora de ser irresponsável.

16 abril, 2011

Vida de Homer

Preciso de um coração novo
Ou de um corpo novo
Uma vida nova talvez
Queria viver mais uns 25 anos
Mas vejo que será bem mais difícil do que pensei
Essa vida de Homer tem lá seus atrativos
Mas a realidade é mais dura que divertida
Engraçado que estes sentimentos surgem apenas em dois momentos
Na maldita ressaca que nunca tem fim
E quando resolvo encarar a ladeira aqui na rua
Das duas uma
Paro de beber
Ou dou a volta pela rua de trás
O problema é que troco uma subida por alguns metros de caminhada
Bem que poderiam abrir um mercado aqui ao lado de casa
Em um raro momento de reflexão
Cheguei a seguinte conclusão
Não é a cerveja que me faz mal
Quando eu bebo estou feliz
É a atividade física que acaba comigo
Já sei a quem devo evitar...

14 abril, 2011

O tempo

Ela sabe
Jamais admitiria que amo
Amo, é verdade
Mas jamais lhe diria
Se amo?
Amo...
Mas ninguém mais que nós dois precisamos saber disso
E ninguém mais que eu mesmo, que nós mesmos
Amo, sabes disso
Me ama, sei disso
Me dirás?
Talvez...
Te direi?
Talvez...
O tempo é o senhor, às vezes inimigo, outrora amigo
O tempo
Ele
Nós
Eu e você.

12 abril, 2011

Fim

Minha vida sempre foi um livro aberto, odeio essas expressões populares prontas, são bem clichês, mas vem ao caso. Está na hora de começar a fechar um pouco este livro. Sempre dei toda a liberdade para meus amigos, sempre conversei de tudo e com todos. Sempre fiz besteiras, loucuras, sandices e um universo gigantesco de outras asneiras. Nunca tive problema com elas, sempre me diverti. Já me disseram invejar este meu “desapego social”. De fato não ligo para os que vocês pensam sobre mim, não vai mudar em absolutamente nada o meu dia-a-dia, minha rotina. Muito pelo contrário, a grande maioria de vocês não tem coragem de dizer o que pensam realmente sobre mim. Já sofri bullying na época de escola, acreditem, nada do que me disserem irá me assustar, magoar talvez, mas isso logo passa. Antes não ter amigos que ter um mentiroso, um falso amigo ao meu lado. Não estou desdenhando de sua amizade, jamais faria isso, sei a falta que um amigo me faz e jamais faria qualquer coisa para diminuir o já pequeno quadro de amizades que tenho, mas quando tiver alguma coisa para falar de mim, seja boa ou ruim, fale. Já saí na porrada com a maioria dos meus grandes amigos, não foi por uma ofensa ou por um pensamento adverso que deixamos de ser o que disse, grandes amigos.

Diversas vezes sinto que pessoas ao meu redor me tratam diferente, olham para mim de um modo bastante peculiar, não sei se é medo, se é raiva, se é apenas o meu jeito adorável de ser, mas pareço despertar algo nelas, e odeio isso. Principalmente por elas jamais abrirem a boca. Não sou o cara mais adorável do mundo, nem quero ser. Mas uma conversa não faz mal a ninguém.

Nos últimos meses as coisas não tem sido fáceis, só eu sei o quanto tenho tentado, o quanto aprendi comigo mesmo, o quanto melhorei como pessoa. Fiz isso por que tive amigos, que sempre estiveram do meu lado e que nunca questionaram absolutamente nada a meu respeito. Dúvidas eu garanto que eles têm, mas souberam respeitar um dos momentos mais conturbados de minha vida e continuam agindo como se nada tivesse acontecido, assim como eu faço.

Minha cabeça não anda muito boa, mas não temo por minha sanidade. Sei o que quero e como fazer, só me falta um motivo. Já comprei a arma, a munição, já a apontei para minha cabeça, só me falta um único motivo para apertar o gatilho e acabar com essa história toda. Só me falta um único motivo para eu soltá-la e seguir minha vida naturalmente. Não os tenho ainda. Temo por saber qual irei encontrar primeiro.

Tal como um Wellington, gostaria de entrar para a história do Brasil, mas me contento em entrar para a história apenas dos meus amigos.

Amigos, vocês sempre foram e sempre serão meus amigos, agora de uma forma eterna. Me julgo duas coisas neste momento, covarde e possessivo. Covarde por desistir de tudo e possessivo por querer que jamais se esqueçam de mim, então decidi entrar de uma vez por todas na vida de vocês, não é o melhor jeito de se fazer isso, mas a situação veio a calhar.

E por favor, não me julgue, já fiz isso. Pensei nisso nos últimos dias mais do que você tenha conseguido respirar em sua vida toda.

Fim. O livro se fechou, a história se acabou.

11 abril, 2011

O desafio

Será que é amor?
Não sei
Quem afinal poderia nos dizer?
Não sei
Talvez eu, você
Possivelmente nós mesmos
Não sei explicar
Nem para mim, nem para os outros
Talvez você me entena, talvez
O amor é o sentimento dos seres imperfeitos
Assim como nós
Posto que a função do amor é levar-nos à perfeção
E com você, eu aceito este desafio.

08 abril, 2011

Ainda

Eu só queria entender
Se fui eu ou você
Quem errou nisso tudo?
Quem mudou nossa história
Se na minha memória
Só aparece você
Olhando para o outro lado
Flertando com outros olhos
Outros que não os meus
Eu só queria entender
Quando foi que perdi
Quem eu tanto quis ter
Eu te amei de verdade
Mesmo assim não foi o bastante
Não demonstrei pra você
Tudo o que eu sentia
Deixei guardado no peito
E você nunca vai me entender
Calado fiquei
E ainda estou
Já não te amo como antes
Te amo mil vezes mais.

06 abril, 2011

Sorriso


E mesmo que nunca nos encontremos
Mesmo que nunca mais te veja
Que nunca mais te deseje
Seu sorriso
O teu sorriso
Será meu...

04 abril, 2011

Ingenuamente eterno

Tenho medo
A verdade é essa
Medo
Um temor doentio te errar novamente
De perder e pior, de te perder
Mas este medo mudou de lado
Não temo mais o amanhã
Mas sim pelo hoje
Pelo agora
Por aquilo que posso estar deixando de viver
Temo te perder
E perder antes de poder viver
De não ter sido tudo o que gostaria
E isso com você
Tenho medo do tempo
De que ele passe depressa demais e que não dê tempo da gente se curtir
Mas temo que ele passe e te traga outro
Que me esqueça e me deixe do lado de fora da sua vida
Tenho medo sim, mas não mais de errar
Esse medo é de não tentar
De não existir, de não ser
Temo que hoje me ame e que amanhã me odeie
Mas tenho medo de que no amanhã já não mais me queria
De seu sorriso desaparecer
De seus olhos para outro virar
Sempre temi pelo amanhã
Agora vejo o quanto estava errado
Eu deveria era ter pensando no meu hoje
E o meu hoje é você
Só assim você vai virar meu amanhã, meu futuro, meu eterno
E para todo e todo sempre, mesmo que de mentira
Mesmo que o todo seja enquanto durar
Mas que seja eterno enquanto dure
E, ainda que ingenuamente, que dure eternamente.

01 abril, 2011

Ego

Egoísta
É isso que você é
Quer e quer para ontem
Pensa apenas em ti
Se tem olhos para mim, é pensando em seu beneficio
Realmente se importa comigo?
Ou só por que isso implica na sua felicidade
Felicidade?
Não é isso que isso é
Amor egoísta esse seu
Tão diferente do meu
Penso tanto em ti que chego a esquecer de mim
E recebo o contrário
Me ignoras, se lembra que existo quando lhe convém
Eu abro mão dessa história
Tão bom morrer de amor e continuar vivendo
Mas você me mata aos poucos
Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem lutar é ainda melhor
Abdico das armas, da batalha
Desisto, pode seguir sua vida
Vou tratar de viver a minha
Egoísta eu também sou
Mas ego não tem nada a ver com amor.

"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
Fernando Pessoa